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UNIPAC/FUPAC promove conscientização sobre o Autismo, no Abril Azul Claro

A FUPAC/UNIPAC apoia a campanha “Abril Azul Claro”, que tem o propósito de conscientizar a população quanto ao Autismo. A seguir texto feito pela professora do curso de Psicologia, Kellen Alves Carvalho.

Os Transtornos do Espectro (TEA), classificados como transtornos do neurodesenvolvimento, constituem um grupo de transtornos que se manifestam precocemente no desenvolvimento infantil, sendo caracterizados por déficits que acarretam prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico e /ou profissional. Os principais déficits observados nos TEA se concentram em três áreas do desenvolvimento: a comunicação, a interação social e os padrões de comportamento, que tipicamente se apresentam restritos e/ou repetitivos.

Considerando o autismo de um ponto de vista funcional, trata-se de uma síndrome caracterizada pela presença de déficits e excessos que são avaliados como problemas por dificultar à criança o acesso pleno às possibilidades interativas disponíveis em seu ambiente.

O tratamento analítico-comportamental vem apresentando evidências empíricas consistentes da sua eficácia no desenvolvimento de habilidades variadas em crianças que apresentam TEA e outros déficits no desenvolvimento. Alguns exemplos são o desenvolvimento de habilidades sociais, a aquisição de habilidades de vida diária e de habilidades de leitura. Considerando os excessos comportamentais tipicamente apresentados por esta população, tais como estereotipias motoras, hipercinesias e agressões (auto ou heteroagressões), considerados aparentemente incoercíveis, o uso individual ou combinado de estratégias analítico-comportamentais tem se mostrado efetivo para a redução destes padrões comportamentais. Uma série de estudos tem demonstrado a redução de vários excessos comportamentais a partir da utilização de procedimentos originários da análise do comportamento, como por exemplo, no manejo de problemas de sono, na redução de comportamentos autoestimulatórios, e no manejo de comportamentos indesejáveis.

A Análise do Comportamento Aplicada ou ABA, da sigla em inglês, Applied Behavior Analysis, é a única intervenção que tem demonstrado evidências empíricas de bons resultados no tratamento para a população de indivíduos autistas. Trata-se de uma ciência ampla e complexa, cujas intervenções contemplam o tratamento para o indivíduo autista e, paralelamente, para os seus familiares. 

A ampla divulgação dos resultados efetivos produzidos pelos tratamentos analítico-comportamentais resultou em uma ampliação da oferta de serviços que se autodenominam ABA. Mas é importante considerar que os tratamentos baseados em ABA são norteados por sete dimensões específicas muito bem definidas, quais sejam as dimensões aplicada, conceitual, comportamental, analítica, tecnológica, efetiva, generalizada e tecnológica.  Vale o alerta de que um tratamento conduzido por profissionais insuficientemente habilitados tem maiores chances de causar danos do que benefícios. A seleção do tratamento é o primeiro dos muitos passos necessários na direção de ofertar às pessoas autistas e às suas famílias uma oportunidade real de recuperar o acesso às possibilidades plenas de uma vida de melhor qualidade.